No Brasil, estima-se que cerca de 150 mil pessoas sejam diagnosticadas com a doença anualmente, principalmente adolescentes e jovens entre 10 e 25 anos
O mês de junho é marcado pela campanha Junho Violeta, movimento dedicado à conscientização, prevenção e combate ao Ceratocone, doença ocular progressiva que afeta a córnea e pode comprometer significativamente a qualidade da visão. Criada pela Sociedade Brasileira de Oftalmologia (SBO), a iniciativa busca ampliar o conhecimento da população sobre a doença, seus sintomas, fatores de risco e a importância do diagnóstico precoce.
Segundo dados do Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO), o ceratocone afeta entre 400 e 600 pessoas a cada 100 mil habitantes no mundo, podendo atingir ambos os olhos em aproximadamente 90% dos casos. No Brasil, estima-se que cerca de 150 mil pessoas sejam diagnosticadas com a doença anualmente, principalmente adolescentes e jovens entre 10 e 25 anos.
De acordo com a oftalmologista do Hospital de Olhos do Paraná, Dra. Sabrina Cavalli, a informação é uma das principais ferramentas para evitar a progressão da doença. “O ceratocone costuma surgir de forma silenciosa e muitas vezes é confundido com alterações comuns de grau, como miopia e astigmatismo. Por isso, o acompanhamento oftalmológico regular é fundamental, especialmente em crianças, adolescentes e jovens que apresentam piora frequente da visão”, explica.
O ceratocone provoca o afinamento e a deformação progressiva da córnea, que passa a assumir um formato semelhante ao de um cone, prejudicando a capacidade de focalização das imagens. Entre os sintomas mais comuns estão visão embaçada, aumento frequente do grau dos óculos, sensibilidade à luz, distorção visual e dificuldade para enxergar detalhes.
Coçar os olhos é um dos principais fatores de risco
Um dos alertas centrais da campanha Junho Violeta está relacionado ao hábito de esfregar ou coçar os olhos constantemente. “O ato de coçar os olhos pode acelerar significativamente a evolução do ceratocone. Muitas vezes isso está associado a quadros alérgicos, que precisam ser tratados adequadamente para evitar danos à córnea”, destaca a oftalmologista. Além do fator mecânico, a doença também apresenta influência genética, sendo mais comum em pacientes com histórico familiar da condição.
Diagnóstico precoce amplia chances de controle
Embora o ceratocone não tenha cura, os avanços da oftalmologia permitem controlar sua progressão e preservar a qualidade visual dos pacientes. “O diagnóstico precoce faz toda a diferença. Hoje contamos com tecnologias que permitem identificar alterações corneanas ainda em fases iniciais e indicar tratamentos capazes de estabilizar a doença, reduzindo o risco de perda visual importante”, afirma a especialista.
Entre as opções terapêuticas estão óculos, lentes de contato especiais, procedimentos como o crosslinking corneano e, em casos mais avançados, implante de anel intracorneano ou transplante de córnea. Estima-se que cerca de 10% dos pacientes possam necessitar de transplante em situações mais graves.
Atenção aos sinais
Estar atento aos sintomas e procurar uma avaliação oftalmológica é algo importante para identificar e combater o ceratocone. Entre os principais sinais da doença, destacam-se: visão embaçada frequente, aumento constante do grau dos óculos, sensibilidade excessiva à luz, dificuldade para enxergar à noite, coceira intensa nos olhos e visão distorcida. “O Junho Violeta é um convite para que as pessoas cuidem da saúde ocular de forma preventiva. Quanto mais cedo identificamos o ceratocone, maiores são as chances de preservar a visão e oferecer qualidade de vida ao paciente”, conclui Dra. Sabrina.

